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Tecnologia

Nvidia fecha acordo de US$20 bilhões com Groq em sua maior transação da história

Chipmaker adquire ativos e tecnologia de inference da startup em estrutura que evita revisão antitruste

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Por Sandoval Almeida
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A Nvidia anunciou em 24 de dezembro de 2025 um acordo avaliado em US$20 bilhões para adquirir ativos e tecnologia da Groq, startup especializada em chips de inteligência artificial para inference. A transação marca o maior negócio da história da Nvidia, superando os US$6,9 bilhões pagos pela Mellanox em 2019. A estrutura foi estabelecida como "acordo de licenciamento não exclusivo", com Jonathan Ross, CEO e fundador da Groq, e Sunny Madra, presidente da empresa, integrando-se à Nvidia junto com a maior parte da equipe técnica. Segundo Alex Davis, CEO da Disruptive, investidor líder da última rodada da Groq, cerca de 90% dos funcionários da startup migrarão para a Nvidia. A Groq continuará operando como empresa independente sob novo CEO, Simon Edwards, anteriormente CFO.

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A Groq desenvolve Language Processing Units (LPUs), chips especializados em inference de IA que utilizam arquitetura SRAM para processamento de baixa latência. Em setembro de 2025, a empresa havia captado US$750 milhões em rodada Serie E liderada por BlackRock e Disruptive, alcançando valuation de US$6,9 bilhões. Entre os investidores estavam também Neuberger Berman, Samsung, Cisco e 1789 Capital. O acordo de US$20 bilhões representa premium de quase 3x sobre a avaliação de três meses antes. Segundo relatórios de mercado, os acionistas da Groq receberão 85% do valor à vista imediatamente, 10% em meados de 2026 e o restante no final de 2026. Ross foi um dos criadores das TPUs (Tensor Processing Units) do Google antes de fundar a Groq em 2016, desenvolvendo tecnologia competitiva focada em inference — fase em que modelos de IA geram respostas em tempo real.

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A estrutura do negócio foi desenhada para evitar revisão antitruste prolongada, seguindo modelo utilizado por Microsoft (Inflection AI) e Amazon (Adept AI) em 2024. Ao manter a Groq como entidade independente e estruturar como licenciamento de tecnologia mais contratação de talentos, a Nvidia evita o processo Hart-Scott-Rodino que poderia congelar aquisições por 18 meses. Analistas como Stacy Rasgon, da Bernstein, descreveram o acordo como estratégia para "manter a ficção de competição viva" enquanto efetivamente absorve capacidades técnicas da rival. A Nvidia não emitiu press release oficial nem fez filing regulatório, confirmando apenas o conteúdo do breve comunicado publicado pela Groq. Jensen Huang, CEO da Nvidia, informou em email interno obtido pela CNBC que a empresa planeja "integrar os processadores de baixa latência da Groq à arquitetura da fábrica de IA da Nvidia.

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O acordo posiciona a Nvidia para dominar tanto training quanto inference de IA, áreas que analistas projetam como mercados distintos em 2026. A tecnologia SRAM da Groq oferece vantagens em modelos pequenos (até 8 bilhões de parâmetros) e aplicações que exigem resposta instantânea, como robótica, voice AI e dispositivos edge. A Nvidia mantém dominância em GPUs para training de modelos, mas enfrentava competição crescente em inference de startups como Groq e de chips customizados de hyperscalers. Com caixa de US$60,6 bilhões em outubro de 2025 e free cash flow projetado de US$77 bilhões em fiscal year 2026, a Nvidia tem recursos para continuar consolidando o mercado de IA através de acordos semelhantes. Em setembro de 2025, a empresa já havia investido US$900 milhões na Enfabrica em estrutura similar de licenciamento mais contratação de equipe.

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Sandoval Almeida

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