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Cripto

Crypto winter 2026: Bitcoin recua 44% em seis meses e testa confiança do mercado

Queda acentuada e liquidações elevadas transformam desaceleração em crise de confiança

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Por Lucas Gomes
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O preço do Bitcoin acelerou a queda no início de fevereiro de 2026, rompendo a barreira dos US$70.000 e consolidando uma retração de 44% em relação ao pico registrado seis meses antes, intensificando um cenário amplamente caracterizado como ‘crypto winter’. A deterioração de preços levou a criptomoeda a níveis que não eram observados desde a posse da segunda administração Trump, marcando um ponto de inflexão na percepção de risco entre traders e investidores institucionais. A amplitude do recuo — que se manifestou em movimentos extremos nos mercados spot e de derivativos — trouxe de volta debates sobre o papel do Bitcoin como reserva de valor, ao passo que diferentes séries de dados de negociação registraram liquidações significativas e aumento da volatilidade. Esse recuo não representa um choque isolado: tratou‑se de um movimento sincronizado entre segmentos do mercado que elevou premissas de preço, reajustou expectativas de alocação e obrigou gestores a reverem estratégias de risco e alavancagem.

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Tecnicamente, o episódio foi articulado por sobreposições de fatores microestruturais e de mercado de capitais: alavancagem elevada em câmaras de futuros, compressão de funding rates em plataformas de derivativos e pulverização de ordens stop em liquidações forçadas formaram um circuito de feedback negativo que ampliou a queda. Em ambiente de maior volatilidade, instrumentos de liquidação automática convertiram pressão vendedora pontual em quedas amplificadas, cenário em que chegaram a ser reportadas liquidações na casa dos US$800 milhões em ondas sucessivas. Paralelamente, a volatilidade relativa entre ativos tradicionais e cripto mostrou sinais atípicos — com o ouro registrando oscilações excepcionais em prazos recentes — o que redesenha a correlação entre classes de ativo e complica estratégias de hedge. No plano on‑chain, a dinâmica de saídas de exchanges e ajustes de posições de longo prazo contribuíram para reduzir a liquidez em momentos críticos de execução, fazendo com que a variação de preço respondesse de forma mais brusca a ordens de grande porte. Em síntese, a mecânica técnica expôs fragilidades conhecidas do ecossistema: alta dependência de derivativos, baixa profundidade de livros em momentos de estresse e sensibilidade a compressões rápidas de margem.

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O impacto repercutiu em todas as camadas do ecossistema: gestores de ativos e casas de análise passaram a classificar o movimento como um recrudescimento do ciclo negativo que começou no mercado cripto, gestores de grandes fundos publicaram avaliações mais conservadoras e executivos de instituições afirmaram que o ambiente exige reavaliação de exposição. Figuras do setor — incluindo chefes de investimento de gestoras relevantes — caracterizaram o episódio como um 'crypto winter' em amplitude e duração, enquanto análises editoriais apontaram múltiplas razões estruturais para a gravidade do choque. Exchange desks e provedores de liquidez calibraram circuit breakers e políticas de margem; mineradores e fornecedores de infraestrutura revisaram capex e timings de venda de caixa. Produtos correlatos, como ETFs, contratos futuros e estruturas alavancadas, amplificaram transmissões entre segmentos; ao mesmo tempo, debates sobre regulação e supervisão de mercados derivativos voltaram a ganhar prioridade nas mesas institucionais. A extensão do movimento também forçou corretoras e custodians a reforçar comunicações de risco e a reavaliar limites operacionais, num esforço por conter efeitos sistêmicos e restaurar conduta de mercado.

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Do ponto de vista de disponibilidade, o Bitcoin permaneceu negociável nas principais bolsas spot e de derivativos, sem relatos generalizados de suspensão de mercados, ainda que a liquidez tenha se mostrado mais estreita em períodos de pico de volatilidade. Não existe um 'preço oficial' único que traduza o valor de negociação além dos níveis publicados pelos livros de ordens das plataformas; embora informações pontuais de preços tenham sido amplamente divulgadas, não há um preço de referência universalizado para transações off‑exchange. Diante disso, o mercado espera ajustes nas políticas de margem, maior coordenação entre provedores de liquidez e possível endurecimento regulatório nos Estados Unidos e em outros centros financeiros, movimentos que tendem a definir a capacidade de recuperação de preços e a restaurar um ambiente de negociação mais estável nos próximos meses.

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